Ao ler o artigo da Revista Nova Escola,
“Educação a Distância vale a pena?”, passei a
refletir sobre os mitos e verdades apresentados nele.
Acho um tanto preconceituosa a afirmação como verdade, de que os cursos a
distância não são adequados para os mais jovens. Eu, com 24 anos, uma pessoa
relativamente jovem, penso (e fiz o teste do perfil) que tenho as
características de uma aluna de EAD, assim como tutora ou professora. Já fui
tutora de EAD duas vezes quando ainda estava na graduação, e tinha 19 anos. No
curso do qual realizava a atividade de tutoria, mais de 50% dos alunos eram
relativamente jovens (abaixo da faixa dos 30 anos).
A minha opinião a respeito do "perfil" do aluno de EAD é apenas
uma: assim como qualquer curso, seja ele presencial ou á distância, deve haver
dedicação, comprometimento, autonomia e vontade de aprender.
Nos cursos a distância, estas questões são ainda mais relevantes. É
preciso ter ainda mais autonomia, ainda mais comprometimento, ainda mais
vontade. Se isso não existe, ocorre a desistência. Não é a toa que o artigo
revela como mito o fato da evasão ser maior no caso da EAD. Quem não consegue
acompanhar ou não tem vontade, desiste. É assim em todos os casos.
Discordo em parte do mito de que na EAD se estuda quando quiser. Em parte
isto é mito, mas em outra não, pois a flexibilidade de horário é justamente o
motivo de que muitos alunos procuram esta modalidade. Pessoas que trabalham,
tem filhos, tem casa para cuidar, e mesmo assim querem se atualizar, querem
complementar sua formação. Ou pessoas como eu, que trabalham e estudam nos dois
turnos, e querem estudar ainda mais, aproveitando o tempo que tem em casa, entre
uma tarefa e outra.
Em minha opinião, só não existe mais público para a educação a distância por
conta do preconceito da sociedade mesmo. Porém, acredito que este fato vem
mudando. Na época em que fui tutora, ouvia as opiniões das pessoas a respeito da
modalidade, muito mais negativas do que hoje. E não faz muito tempo não, isto
foi de três ou quatro anos para cá.
Hoje, não são somente donas de casa com filhos que procuram a EAD, são
pessoas que já estudam ou trabalham, ou os dois, e querem ainda mais. E este é
o perfil. Pessoas que querem buscar conhecimento. Por isso as avaliações
demonstram a qualidade dos alunos de EAD. Não são alunos que vão para a aula
"de corpo presente" e com a mente lá fora. Se um aluno de EAD abre a
sua página do curso, ele está disposto, ele quer participar, ele quer buscar.
Não há como estar neste estado de inércia em um curso a distância.
No caso dos professores, concordo em parte. Nos cursos presenciais, vemos
professores que levam a matéria no PowerPoint, leem para os alunos, e mandam
trabalho para a casa (geralmente resenha de livro). Podem existir professores
ou tutores pouco qualificados na EAD? Pode. Na educação presencial também.
Aprender ou não aprender, quando se é criança, quando ainda não se tem
autonomia, depende mais da atitude do professor, em acompanhar, em estimular,
em fazer com que esta criança adquira a sua autonomia. Isto faz parte da
Educação Infantil, mais especificamente do Ensino Fundamental.
No caso do Ensino Superior, onde o público é adulto, supõe-se que este já
adquiriu certo grau de autonomia, e, portanto, é capaz de buscar, de pesquisar,
de se superar e de fazer de qualquer modalidade a melhor para si.
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-inicial/vale-pena-entrar-nessa-educacao-distancia-diploma-prova-emprego-rotina-aluno-teleconferencia-chat-510862.shtml