sexta-feira, 4 de maio de 2012


Muitas vezes me pego pensando não só nas diferenças, mas principalmente nas semelhanças entre a educação presencial e a EAD.

Penso na semelhança sobre vários aspectos. Um deles no que diz respeito às mudanças nas relações educacionais. Estudando as teorias de aprendizagem, podemos relembrar os antigos modelos pedagógicos empiristas de teóricos como Skinner e Watson, baseados no autoritarismo do professor (este como sujeito principal da relação).  Teorias estas em que o professor “transmitia” o conhecimento e o aluno “absorvia”.

Com a evolução para o construtivismo, e também o sócio interacionismo, de teóricos como Piaget e Vygotsky, podemos perceber uma grande mudança nessas relações. O aluno passa a ser o sujeito principal, e o professor passa a ter um papel de mediador. O professor problematiza, provoca um desequilíbrio, e o aluno constrói a partir disso algo novo. Professor e aluno aprendem juntos, e constroem o conhecimento a partir do que o aluno já sabe para o que ainda poderá construir.

Vejo esta evolução também na modalidade à distância. Podemos observar como eram os primeiros cursos à distância, nos quais os alunos recebiam, por meio de cartas, textos prontos. Destes textos os alunos respondiam a questionários e faziam as atividades devolvendo a avaliação. Não havia interação entre professor aluno, muito menos entre os alunos entre si.

A metodologia era baseada na “transmissão” do conhecimento do professor para o aluno, onde este era avaliado posteriormente, para verificar se “absorveu” ou não. Atualmente podemos perceber a grande mudança nas relações professor-aluno e aluno-aluno nos cursos à distância. As novas TIC’s, com redes cada vez mais interativas, vem facilitando um modelo de construção conjunta do conhecimento cada vez mais sólido.

A utilização dos fóruns, dos chats, das videoconferências, entre outros, favorecem uma interação tanto do professor com o aluno, podendo ocorrer o processo de mediação, quanto do aluno com seus colegas de curso, trocando ideias, opiniões, experiências, materiais e informações. Resumindo, trocando conhecimento.

A minha opinião é a de que a principal diferença entre estas duas modalidades de ensino é realmente a possibilidade de flexibilidade que a modalidade a distância possibilita para as pessoas no geral. Seja as mães e donas de casa, seja as pessoas com múltiplos empregos e que querem se qualificar ainda mais, seja as pessoas que não tem acesso na sua cidade de uma instituição de ensino superior, todos podem se beneficiar de uma alternativa para adquirir ou complementar a sua formação.

Outra “diferença”, não sei se seria bem esta a palavra, é a autonomia do aluno. A EAD exige muito mais esta característica por parte do aluno. Sem esta autonomia, na verdade, não há educação à distância, o aluno não consegue avançar sem ela. Porém, um bom professor estimula a autonomia do aluno seja em ensino presencial ou à distância. A autonomia, como já dizia Paulo Freire, é imprescindível no ensinar, onde este não é uma mera transmissão de conhecimentos, mas conscientização e testemunho de vida.

Não podemos tentar encontrar a melhor modalidade, querer fazer uma guerra declarada entre elas, depreciando uma e exaltando outra. As duas modalidades, presencial e a distancia, são válidas. Cabe a cada um decidir qual condiz mais com o seu perfil individual e com suas possibilidades, principalmente no que diz respeito ao tempo.

A diferença entre a modalidade à distância e a presencial é a distância entre corpos, mas não pode, de maneira nenhuma, ser a distância entre mentes.


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