Muitas vezes me pego pensando não só nas diferenças, mas
principalmente nas semelhanças entre a educação presencial e a EAD.
Penso na semelhança sobre vários aspectos. Um deles no que
diz respeito às mudanças nas relações educacionais. Estudando as teorias de
aprendizagem, podemos relembrar os antigos modelos pedagógicos empiristas de
teóricos como Skinner e Watson, baseados no autoritarismo do professor (este
como sujeito principal da relação). Teorias
estas em que o professor “transmitia” o conhecimento e o aluno “absorvia”.
Com a evolução para o construtivismo, e também o sócio
interacionismo, de teóricos como Piaget e Vygotsky, podemos perceber uma grande
mudança nessas relações. O aluno passa a ser o sujeito principal, e o professor
passa a ter um papel de mediador. O professor problematiza, provoca um
desequilíbrio, e o aluno constrói a partir disso algo novo. Professor e aluno
aprendem juntos, e constroem o conhecimento a partir do que o aluno já sabe
para o que ainda poderá construir.
Vejo esta evolução também na modalidade à distância. Podemos
observar como eram os primeiros cursos à distância, nos quais os alunos
recebiam, por meio de cartas, textos prontos. Destes textos os alunos
respondiam a questionários e faziam as atividades devolvendo a avaliação. Não
havia interação entre professor aluno, muito menos entre os alunos entre si.
A metodologia era baseada na “transmissão” do conhecimento do
professor para o aluno, onde este era avaliado posteriormente, para verificar
se “absorveu” ou não. Atualmente podemos perceber a grande mudança nas relações
professor-aluno e aluno-aluno nos cursos à distância. As novas TIC’s, com redes
cada vez mais interativas, vem facilitando um modelo de construção conjunta do
conhecimento cada vez mais sólido.
A utilização dos fóruns, dos chats, das videoconferências,
entre outros, favorecem uma interação tanto do professor com o aluno, podendo
ocorrer o processo de mediação, quanto do aluno com seus colegas de curso,
trocando ideias, opiniões, experiências, materiais e informações. Resumindo,
trocando conhecimento.
A minha opinião é a de que a principal diferença entre estas
duas modalidades de ensino é realmente a possibilidade de flexibilidade que a
modalidade a distância possibilita para as pessoas no geral. Seja as mães e
donas de casa, seja as pessoas com múltiplos empregos e que querem se
qualificar ainda mais, seja as pessoas que não tem acesso na sua cidade de uma
instituição de ensino superior, todos podem se beneficiar de uma alternativa
para adquirir ou complementar a sua formação.
Outra “diferença”, não sei se seria bem esta a palavra, é a
autonomia do aluno. A EAD exige muito mais esta característica por parte do
aluno. Sem esta autonomia, na verdade, não há educação à distância, o aluno não
consegue avançar sem ela. Porém, um bom professor estimula a autonomia do aluno
seja em ensino presencial ou à distância. A autonomia, como já dizia Paulo
Freire, é imprescindível no ensinar, onde este não é uma mera transmissão de conhecimentos,
mas conscientização e testemunho de vida.
Não podemos tentar encontrar a melhor modalidade, querer
fazer uma guerra declarada entre elas, depreciando uma e exaltando outra. As
duas modalidades, presencial e a distancia, são válidas. Cabe a cada um decidir
qual condiz mais com o seu perfil individual e com suas possibilidades,
principalmente no que diz respeito ao tempo.
A diferença entre a modalidade à distância e a presencial é a
distância entre corpos, mas não pode, de maneira nenhuma, ser a distância entre
mentes.
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